All The Things LOOΠΔ Didn’t Say – ODD EYE CIRCLE

Loona1.jpgUm nome gramaticalmente errado, mas que esteticamente funciona: ODD – três luas, uma atrás da outra; EYE CIRCLE – como o brilho de um eclipse no olho de cada uma delas. Estranho, mas é esse o propósito. A segunda subunit do LOOΠΔ continua a carregar um dos projetos mais interessantes que já vi na música.

“Girl Front”, a mistura de verão com 20% de “Eclipse”, 20% de“Singing in the Rain” e 60% de “Love Cherry Motion” é certamente diferente das expectativas, os teasers e os solos indicavam uma atmosfera bem mais misteriosa:

Capturar.PNGPelo menos descobrimos que foi a JinSoul quem colocou a cereja no bolo

Capturar2.PNGE essa cena das três juntas de uniforme?

Essa diferença é proposital e importante. Não é a toa que Kim Lip e JinSoul foram estilizadas de forma tão parecida: como chamamos um cabelo que nunca passou por processos químicos?

No post passado, vimos que “Love Cherry Motion” funciona muito bem como uma metáfora sobre a passagem da infância para a adolescência através da perda da virgindade (ou “estourar a cereja”).

tumblr_owqyuci4yv1vgm7l3o1_1280.jpgVirgem até no cabelo

Em “Girl Front”, uma das minhas interpretações é a de que Kim Lip e JinSoul funcionam como forças motoras para a história da Choerry. Como facetas que já existiam internamente, e que despertam agora que ela está preparada para crescer. É uma história arquetípica, como o mito do herói, só que voltada para o feminino.

Em muitas religiões pagãs (principalmente na Wicca), acredita-se na chamada Deusa Tríplice, representada pela própria Lua em suas três fases visíveis e três estágios da vida:

Capturar12.PNGCrescente/Donzela – pureza, busca pelo conhecimento

Capturar10.PNGCheia/Mãe – poder, proteção e carinho

Capturar8.PNGMinguante/Anciã – renascimento, continuidade e mistério

Esse semi-círculo nos olhos delas também é exatamente igual ao Arco de Diana, forma como é chamada a Lua crescente três dias depois de surgir:

Dianas-Bow-by-Curt-RenzFoto: Curt Renz

Diana é a deusa virgem da Lua e da caça na mitologia romana.

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Como eu queria que tivesse sido um conceito bruxas

Enquanto as observações acima existem apenas como subtexto (e isso só para quem prestou muita atenção, ou gosta dessas coisas como eu), as camadas mais superficiais do single mostram um lado alegre e despreocupado da unit, algo um tanto inesperado, como eu disse ali em cima.

O Lunei fez uma análise muito boa (e que a essa altura acredito que todos vocês já tenham lido) sobre as referências aos outros MVs e sobre a evolução da história. Vou poupar o tempo de vocês e o meu e não vou reescrever tudo que pode ser encontrado lá. Vou só desenvolver ainda mais o que ele disse com o que eu interpretei.

A história do LOOΠΔ cada vez mais se firma como uma coming-of-age do ponto de vista feminino, e o faz com maestria. As meninas do Odd Eye Circle buscam as outras, como Choerry foi buscada por Kim Lip e JinSoul, e unidas elas se eclipsam, formam o Loonaverso, e:

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A Lua em si, com suas fases e mistérios.

As meninas funcionam como metáforas para as diferentes versões de nós mesmos que carregamos. Elas estão cada uma em sua dimensão, mas um dos planos contém todas as portas:

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Vale lembrar que as portas são espelhos, algo que eu já falei sobre no post da Kim Lip e JinSoul, e é por aí que o MV começa a fazer ainda mais sentido.

Ao procurar as outras meninas, elas estão também procurando a si mesmas:

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E, ao mesmo tempo, fugindo.

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Uma reação natural à mudança é a fuga. Crescer nunca é fácil. O LOOΠΔVERSE, porém, me faz acreditar que a narrativa delas está criando um espaço onde crescer é natural, saudável, e em conexão com a natureza e a vida. Parece brega, mas toda a ideia do LOOΠΔ é muito bonita pra mim.

A letra de “Girl Front” também fala sobre ser uma agente em sua vida, ao contrário da mensagem mais comum, de que garotas devem esperar acontecer:

“Meu coração bate, cool
Você pode me resfriar? Cool
Eu irei primeiro, woo
Eu vou dizer que te amo”

E em mais uma conexão nada a ver, mas que para mim faz sentido:

 

O Pussy Wagon, de “Kill Bill”, faz uma participação especial em “Telephone” da Lady Gaga. Curiosamente, ele se parece muito com o carro que as meninas do LOOΠΔ usam em “Girl Front” e em “Let Me In”, o solo da HaSeul.

Capturar25.PNGO LOOΠΔ Wagon

Capturar6.PNGO Pussy Wagon

Além disso, “Telephone” também foi gravado na Califórnia, tipo essa cena aqui do mesmo lugar onda a Kim Lip aparece correndo:

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E o deserto:

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A função do Pussy Wagon em “Telephone” é justamente levar Lady Gaga e Beyoncé para outro lugar, tanto física quanto metaforicamente. Beyoncé (que foi justamente quem eu referenciei no post da Choerry) liberta Lady Gaga da Bitch Prison (onde ela foi depois de cometer o assassinato em “Paparazzi”) para realizarem uma missão especial. Depois de envenenar um restaurante inteiro, elas dançam com roupas que remetem à Mulher Maravilha, e expressam uma libertação das expectativas da sociedade. E numa alusão à “Thelma & Louise”, as cantoras terminam dirigindo sem rumo, prometendo nunca mais retornar.

O carro, tanto em “Kill Bill” quanto em “Telephone”, é um veículo de apoio à liberdade feminina, à reivindicação do próprio eu, mesmo que através de meios duvidosos como a vingança. É muito interessante perceber um carro similar nos MVs do LOOΠΔ e com o mesmo propósito, porém sem a agressividade. Certamente não foi proposital, mas o inconsciente coletivo ou o que quer que seja fez sentido, mais uma vez.

Aguardo o repackage, que acredito que terá uma vibe um pouco mais misteriosa (assim como foi com o Love&Live e Love&Evil).

Espero que tenham se divertido com a leitura, e muito obrigada! Beijos ❤

tumblr_owqyeegHRK1vgm7l3o1_1280.jpgKim Linda


NOVIDADES:

Caso não tenham percebido, tive que dar uma sumida online por algumas semanas por conta de trabalhos E organizar a minha pós-graduação em Lisboa, que depois de esperar por mais de três meses, tive que resolver em uma semana, mas deu tudo certo. Uhuuu! Cheguei segunda, fico aqui por um ano, e já estou apreensiva por não saber como vai ser conciliar trabalho com estudo com todo o resto. Mas Hyomin me ensinou a ter muita determinação e eu amo escrever sobre Kpop, então sempre encontrarei um tempinho pra postar aqui.

É isso, e se puderem venham me visitar! ❤

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O Universo do EXO e seus Desdobramentos: Analisando “Power”

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Terça passada o EXO finalmente fez seu comeback com “Power”, e como eu mencionei no meu post pré-lançamento, a SM nos deu um quebra-cabeça muito interessante. Ao contrário do que li por aí, se analisado com atenção, “Power” se mostra uma peça importante para conectar partes do universo do EXO que até então pareciam perdidas.

Ainda no meu post passado, comentei que achava que a história do EXO não seguia uma ordem linear. “Power” confirma essa suspeita. É também uma jogada bem esperta – isso dá margem para a SM mudar o que quiser, quando quiser, e não se sentir obrigada a dar respostas (não que fosse muito diferente caso ela seguisse uma história linear, mas né). Vamos ao que interessa:

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EXO: As possibilidades de “Power”

Com o anúncio do repackage do EXO para essa terça-feira, dia 5, vieram também várias novas informações para nós, EXO-Loucas:

Como vocês ficaram sabendo no meu post sobre Ko Ko Bop, o conceito por trás do EXO é amplo e bastante complexo, e com certeza “Power” nos dará novas peças para refletir. Vou dar aqui meus palpites e resumo de algumas teorias que achei por aí.

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Assistindo a um Evento de Covers de Kpop

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No início de julho aconteceu a final do KDT, uma competição de covers de Kpop, e que eu tive o prazer de assistir graças à Ingrid <3. Embora ele tenha acontecido há quase dois meses, a K.Ö Entertainment só postou os vídeos esses dias, então vamos lá.

Até pouco tempo atrás, eu não fazia ideia de que a cena cover era tão prolífera no Brasil, portanto, foi a primeira vez que fui em um evento do tipo. Posso admitir que eu tinha até um certo preconceito – pensava que os covers todos eram umas tosqueiras feitas entre amigos, sem qualquer pretensão. ESTAVA EU REDONDAMENTE ENGANADA. Como falei, a Ingrid, maravilhosa, me mostrou alguns covers primeiro online, e depois me levou para o KDT, onde definitivamente mudei minha percepção sobre o assunto, assim como mudei sobre tantas outras coisas desde que conheci o Kpop.

Fazer um cover de qualquer coisa que seja e expor para todo mundo ver é ter uma coragem enorme. Assistir a esse processo foi uma experiência que me fez admirar muito todos os participantes. O KDT também me lembrou de uma das coisas mais interessantes em um fandom: a criação externa a ele. Afinal, os idols continuam distantes, nosso grupo favorito pode dar disband amanhã, mas as amizades e tudo o que produzimos ficam, e são essas coisas que fazem toda a diferença.

Agora, vamos ao que interessa: a review de uma pessoa quase leiga no assunto e alguns dos momentos que eu mais gostei/fiquei impressionada/virei stan:

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TAG – Amor à Terceira Ouvida

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Adriano fofura me marcou pra fazer essa tag (que todos já viram por aí, etc) sobre músicas que você não gostava mas, de tanto ouvir, começou a achar ótimas, incríveis, melhor coisa do mundo. Na maioria dos posts por aí, isso foi BOM pois as pessoas começaram a gostar de verdadeiras obras primas que merecem ser enaltecidas sempre. Porém, vamos averiguar meus casos:

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[REPOST] Conhecendo os Arcanos Maiores do Tarot… com Kpop

Pristin – Wee Woo

[Texto originalmente publicado no Headcanons]

Como explicar essa combinação?

Pois é, nem eu sei.

Só sei que há muito tempo eu tento juntar dois dos meus assuntos favoritos, e finalmente encontrei uma maneira. Os MVs de Kpop, que a cada ano ficam mais impressionantes, fornecem material suficiente para representar os arquétipos dos 22 arcanos maiores do Tarot de forma desafiadora e cheia de nuances. Portanto, aqui estou eu com esse humilde guia que funciona de introdução ao Tarot, ao Kpop, ou aos dois 🙂

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